Simulação, proposta e contrato: por que a parcela e o CET mudam entre uma etapa e outra
A parcela da simulação raramente é a mesma do contrato. Veja o que muda entre simulação, proposta e Cédula de Crédito Bancário, um exemplo com números e quando a diferença deve ser questionada.
É comum a simulação ser diferente do contrato. A simulação é uma estimativa feita antes da análise, muitas vezes sem IOF, seguros e tarifas; a proposta traz a taxa definida para o seu perfil; e o contrato, geralmente uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), fixa os números que valem. A parcela e o CET mudam quando a taxa sobe na análise, quando custos são financiados junto ou quando datas e prazos mudam. O que não pode acontecer é o contrato divergir da proposta que você aceitou.
Este guia explica o que muda em cada etapa, mostra um exemplo com números e lista o que conferir antes de assinar.
As três etapas e o que cada uma garante
| Etapa | O que é | Os números valem? |
|---|---|---|
| Simulação | Estimativa inicial, muitas vezes sem análise do seu perfil | Não; servem como referência |
| Proposta | Condições oferecidas a você após a análise, com taxa, CET, parcelas e total | Valem como oferta, normalmente com prazo de validade |
| Contrato ou CCB | Documento que formaliza a dívida | Sim; é o que vale juridicamente e deve bater com a proposta |
Peça sempre a proposta por escrito e leia o contrato antes de assinar, inclusive em contratações digitais.
Por que a parcela e o CET mudam
- A taxa é definida na análise. Muitas simulações usam uma taxa "a partir de" ou uma taxa média. Depois da análise de crédito, a taxa pode subir conforme o seu perfil.
- Custos entram no cálculo. IOF, tarifas e seguros podem ser financiados junto, aumentando o valor financiado, a parcela e o CET. Veja IOF no empréstimo e seguro prestamista e tarifas.
- A data muda o cálculo. O IOF e os juros correm a partir da liberação. Se a assinatura ou a liberação acontecem em outro dia, ou se o primeiro vencimento fica mais distante, a parcela muda.
- Prazo ou valor ajustados. A instituição pode aprovar valor menor ou prazo diferente do simulado.
- Arredondamentos e convenções de dias geram diferenças de centavos, que são normais.
Exemplo: da simulação ao contrato
Exemplo ilustrativo e simplificado, com números hipotéticos.
Você simulou R$ 8.000 em 24 parcelas a 3,20% ao mês, sem custos adicionais. A proposta final manteve a taxa, mas financiou R$ 600 de IOF, tarifa e seguro.
| Campo | Simulação | Proposta e contrato |
|---|---|---|
| Valor liberado | R$ 8.000,00 | R$ 8.000,00 |
| Valor financiado | R$ 8.000,00 | R$ 8.600,00 |
| Taxa de juros | 3,20% ao mês | 3,20% ao mês (cerca de 45,9% ao ano) |
| Parcela | R$ 482,61 | R$ 518,81 |
| Total a pagar | R$ 11.582,64 | R$ 12.451,44 |
| CET | igual à taxa, por não haver custos | cerca de 3,89% ao mês (cerca de 58,1% ao ano) |
A mesma taxa de juros gerou uma parcela cerca de R$ 36 maior e um total cerca de R$ 869 mais alto, só por causa dos custos financiados. Por isso, a comparação entre propostas deve ser feita pelo CET, nunca pela parcela da simulação. O próximo passo é perguntar quais desses R$ 600 são opcionais e pedir uma proposta sem eles.
Quando a diferença deve ser questionada
- O contrato traz números diferentes da proposta aceita: taxa, CET, parcela, prazo ou valor liberado.
- Apareceu um seguro ou produto que você não pediu. O crédito não pode ser condicionado à contratação de seguro ou outro produto.
- A proposta não informa o CET ou a instituição se recusa a enviá-la por escrito.
- A taxa subiu sem explicação entre a proposta e o contrato.
Nesses casos, não assine. Peça a correção ou uma nova proposta por escrito e, se precisar, registre reclamação na ouvidoria da instituição.
O que conferir no contrato, campo a campo
- Valor liberado: o dinheiro que cai na conta. Se for menor que o pedido, descubra o motivo.
- Valor financiado: a base dos juros. Quanto maior a diferença em relação ao liberado, maior o peso dos custos extras.
- Parcelas: valor, quantidade, data do primeiro vencimento e forma de pagamento.
- Taxa de juros ao mês e ao ano: confira a conversão em juros ao mês e ao ano.
- CET ao mês e ao ano, com os componentes detalhados.
- Encargos por atraso: multa, juros de mora e juros remuneratórios. Eles não entram no CET; veja o cálculo em atrasar parcela de empréstimo.
- Quitação e amortização antecipada, com redução proporcional dos juros.
- Dados da instituição: razão social e CNPJ da credora e do correspondente, se houver, e autorização do Banco Central.
Sinais de alerta
- Pedido de pagamento antecipado, como depósito, "taxa de cadastro paga antes" ou "seguro para liberar". Nenhuma empresa séria cobra valor antecipado para liberar empréstimo; veja o golpe da falsa portabilidade e do pagamento antecipado.
- Promessa de aprovação garantida sem análise de crédito.
- Valores divergentes entre o que foi dito por telefone ou mensagem e o que está no contrato.
- Pressão por urgência e pedido de senhas, códigos por SMS ou acesso remoto.
- Contrato em nome de pessoa física ou de empresa sem relação com a credora.
Checklist antes de assinar
- Os números do contrato são os mesmos da proposta que aceitei?
- Entendo por que a parcela é diferente da simulação?
- O CET está informado ao mês e ao ano?
- Sei o total que vou pagar?
- Os seguros e tarifas são opcionais? Quero mantê-los?
- A instituição é autorizada pelo Banco Central?
- Comparei com pelo menos mais uma proposta, seguindo como comparar propostas de empréstimo?
Se alguma resposta for "não", não assine ainda. Se assinou à distância e se arrependeu, veja quanto custa desistir em 7 dias.